O Bushido do Bitcoin: entrevista para Editora Axia – Bernardo Santos

Recentemente, tive o prazer de traduzir a obra O Bushido do Bitcoin: Um Código de Virtude para um Mundo sob um Novo Padrão Econômico, de Aleks Svetski, para Editora Axia, que sugeriu fazermos uma entrevista escrita sobre o livro. Abaixo, você confere a entrevista completa.


1. O que te chamou atenção no livro a ponto de você decidir traduzi-lo?

R. Durante minha leitura inspecional da obra, feita quando surgiu a oportunidade de traduzi-la, me deparei com o seguinte trecho: “Este não é um livro sobre a história do dinheiro, nem mesmo sobre o Bitcoin em si”. Não sou entusiasta do “Bitcoin em si”. Creio, porém, que o ideal de um mundo descentralizado que ele representa é necessário e altamente desejável. Esse pequeno trecho, vindo de um autor que se identifica com esse meio, me sugeriu que eu estava diante do fruto de uma inteligência acima da média. Quando algo assim ocorre, a atenção e o interesse despertam — e estes são sempre ótimos guias para um estudante sério. Foi esse o sinal de que não se tratava de mais uma obra de propaganda ideológica, mas de que havia ali a percepção de algo real, que todos podem reconhecer instintivamente.

2. Existe algum conceito do Bushido que você acha que o leitor moderno vai ter dificuldade de aceitar?

R. No nosso “mundo moderno”, no qual, como diria Chesterton, as virtudes cristãs são tomadas isoladamente e enlouquecidas, cada uma das virtudes listadas por Svetski está carregada de mal-entendidos, em maior ou menor grau. O leitor moderno tende a ter dificuldade justamente porque já as compreende de modo distorcido. A obra é importante porque busca esclarecê-las novamente, retomando seus sentidos mais fundamentais, inclusive em suas bases etimológicas. Uma das que mais me chamam a atenção, como brasileiro, é a do respeito: não respeitamos tradições, nossos superiores, aqueles que são melhores do que nós, os outros e, por isso, nem a nós mesmos. Essa privação nos deixa cegos a tudo o que é excelente, apaga os exemplos que deveríamos imitar e lança todo o nosso povo na mais pura mediocridade — é assim desde José Bonifácio.

3. Durante a tradução, houve algum trecho que te marcou ou mudou sua forma de pensar?

R. Sempre admirei o Musashi, de Eiji Yoshikawa, e as adaptações do mesmo personagem, como o mangá Vagabond, de Takehiko Inoue, que apresentam essas virtudes de forma mais prática e encarnada, por assim dizer. Trata-se de um personagem que está sempre em busca de ser melhor do que é, nunca satisfeito com aquilo que se tornou, e que procura superar seus próprios limites — mesmo correndo o risco de perder a vida nessa busca. Ao conhecer um pouco da literatura japonesa, percebe-se o descompasso que há entre a cultura deles e a nossa. O que me chamou a atenção em O Bushido do Bitcoin foi justamente encontrar, em outro registro e de modo mais direto, uma exposição das razões de ser assim. Por que não se contentar em ser mediano? Por que buscar a excelência em todos os pontos de nossa vida? Por que buscar responsabilidade, em vez de cedê-la aos outros ou ao Estado? Svetski chama nossa atenção para essas questões de modo admirável. A obra trata da aretê; de ser, em vez de apenas parecer. É o drama de tornar-se o spoudaios.

4. Na sua visão, qual é o maior erro que as pessoas cometem ao tentar entender o Bitcoin hoje?

R. Creio que as pessoas em geral confundem bastante o mundo das possibilidades com o mundo em ato. Nesse sentido, o ideal do Bitcoin me parece mais importante do que aquilo que ele efetivamente conseguiu realizar até aqui. Ele aponta para uma possibilidade real, mas não estou convencido de que ela venha a se realizar plenamente por meio dele. Nesse ponto, George Gilder, em obra que a Editora Axia está por publicar (A vida após o capitalismo), tem bastante razão. Contudo, apontar para o problema já é um grande passo na busca por uma solução. Embora Svetski, ao contrário de mim, acredite nessa realização, ele não confunde essas duas esferas em momento algum, e isso é mais um ponto positivo deste seu trabalho.

5. Se você tivesse que resumir o espírito do livro em uma ideia central, qual seria?

R. Se você se torna alguém melhor, o mundo já se torna um pouco melhor. É o chamado à aretê: ordenar a própria vida antes de pretender ordenar o mundo.


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Sobre o Autor ou Tradutor

Bernardo Santos

Aluno do Olavão, bacharel em matemática, amante da Filosofia, tradutor e músico nas horas vagas, Bernardo Santos é administrador principal do Diário Intelectual.

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